Chuva de granizo arrasa São Pedro da Aldeia e região

Pedras de gelo que caíram em São Pedro da Aldeia. Foto: Wellen Narcizo

Na noite dessa quinta-feira (12/07), uma chuva de granizo, que durou cerca de 10 minutos, atingiu São Pedro da Aldeia e região. O fenômeno causou pânico e deixou pessoas desalojadas, casas destruídas árvores tombadas e desfolhadas com a força da tempestade que foi seguida de uma chuva torrencial. Logo após o início, houve várias quedas de energia, que dificultou ainda mais o trabalho dos moradores que tentavam mitigar os estragos. A energia foi restabelecida por completo às 10:45 da noite.
Granizo com tamanhos aproximados de
bolas de golfe. Foto: Wellen Narcizo

Várias casas sofreram com as pedras que chegaram a ser comparada a bolas de golfe. Telhados perfurados deixaram pessoas desalojadas e ocupadas em limpar os destroços e salvar o que não foi atingido durante toda a noite. Com a chuva que seguiu a queda do granizo, várias casas ficaram alagadas e ruas submersas. Elas, que já não estavam em bom estado como já denunciamos no Diário Aldeense, ficaram ainda pior com bancos de areia  e buracos escondidos pelo volume de água, tornaram-se armadilhas para carros e pedestres.

"Comecei a ouvir um barulho muito forte de pedra no meu telhado. Fui na varanda para ver o que estava acontecendo e me deparei com pedras de gelo no meu quintal. Pra registrar peguei uma vasilha e enchi com gelo. Raramente acontece isso aqui", disse a moradora de São Pedro da Aldeia, Renata Orphão, ao G1.

A Defesa Civil de São Pedro da Aldeia informou agora pela manhã aproximadamente às 08:16 (13/07) que está fazendo um levantamento dos danos causados pela cidade e pedem para as pessoas que necessitam de auxílio liguem para 199. Por enquanto não há nenhum dado estatístico para divulgação.

A Prefeitura Municipal de São Pedro da Aldeia informou que está dando assistência às famílias através da Secretaria de Ação Social de acordo com as necessidades e pelo perfil de cada família, traçado pelo Sistema Único de Assistentes Social. As famílias atingidas devem se dirigir ao Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) mais próximo da sua residência. Segundo a secretária, somente serão atendidas as pessoas que estejam cadastradas no programa bolsa família, são usuárias do Sistema Único de Assistentes Social e tenham renda per capita familiar, ou seja, por pessoa, de até R$ 140 reais. "Gostaríamos de deixar claro que estes critérios são estabelecidos pelo Governo Federal e cabe ao município acatar" - disse Leni Santos (Secretária Municipal de Ação Social)

Outras cidades:
Queda de árvore em São Cristóvão -
Cabo Frio. Foto: Ricardo Ianelli
Há relatos da chuva também por Cabo Frio, Araruama, Itaboraí e Iguaba Grande. Em Cabo Frio houve queda de árvore e destruição de casas. Apartamentos tiveram algumas janelas e portas de vidros quebradas pela força e tamanho das pedras de granizo. O prefeito Marquinho Mendes convocou uma reunião de emergência em sua casa na noite da chuva, segundo Renata Cristiane, para tratar do assunto e traçar metas de ajuda  aos cidadãos. No estacionamento do antigo supermercado Sendas, também em Cabo Frio, todas as torres de iluminação tombaram com a força do temporal.

- Parecia que o mundo estava acabando. O telhado desabou em poucos minutos. Veio tudo abaixo. Nunca vi isso em toda a minha vida. Só estou com a roupa do corpo - disse Maria Inácia das Dores ao Extra, que mora em Manoel Corrêa em Cabo Frio.

Segundo Corpo de Bombeiros de Itaboraí, houve ocorrências somente de quedas de árvore até às 23h.

Em Araruama cerca de 600 casas foram atingidas, 3 mil famílias ficaram desalojadas, a prefeitura chegou a decretar estado de situação de emergência mas já voltou atrás. Estão disponibilizadas as Escolas Municipais Margarida Trindade de Deus (rua Francisco Otaviano, s/n.º - Fazendinha) e André Gomes dos Santos (rua Monte Azul, s/n.º- Bananeiras) como abrigo para os moradores que necessitarem. Os bairros mais prejudicados foram o Parque Mataruna, Rio do Limão, Bananeiras, Fazendinha e Sapolândia.

A policlínica de Iguaba Grande ficou alagada. Telhas foram quebradas e o forro do teto cedeu. Há infiltrações em quase todas as salas. Os equipamentos foram desligados e cobertos com plástico. A chuva molhou parte dos documentos administrativos. Ainda não há previsão do retorno do atendimento.

Em Arraial do Cabo, segundo o Inmet, os ventos alcançaram 52 km/h.

Entenda o Fenômeno
Por Wagner de Cerqueira e Francisco


O granizo é um fenômeno caracterizado pela precipitação de água no estado sólido, ou seja, em forma de gelo. Essas partículas são transparentes ou translúcidas e apresentam tamanhos e pesos variados, sendo que a maior foi registrada durante uma tempestade em Bangladesh: aproximadamente 5 Kg.

O granizo é formado principalmente nas nuvens do tipo cumulonimbus, que se desenvolvem verticalmente e atingem grandes altitudes. Gotículas de água adentram essas nuvens e, em seguida, são congeladas em razão das condições térmicas (temperaturas inferiores a 0° C). Nesse momento, as partículas de granizo são formadas e, por meio das correntes de ar, se deslocam, fato que proporciona o aumento das “pedras de gelo”. Ao atingirem um peso suficiente para superar as correntes de ar, ocorre a precipitação de granizo.
Nuvem Cumulonimbus

Em alguns casos, as partículas de granizo são tão pequenas que podem atingir o solo terrestre já na forma líquida. Esse processo depende das condições de umidade, peso e velocidade que o granizo atinge. Contudo, quando as condições atmosféricas são propícias para uma intensa precipitação de granizo, as consequências podem ser desastrosas.

O granizo pode destruir plantações, provocar a queda de árvores, abalar a estrutura de telhados, danificar a rede elétrica, amassar carros, derrubar placas de propagandas, desencadear uma série de transtornos no trânsito, etc. Em caso de uma precipitação de granizo, é aconselhável não ficar debaixo de árvores ou de telhados frágeis.

No Brasil, esse fenômeno é mais comum na Região Sul, sobretudo no estado de Santa Catarina. No dia 15 de novembro de 2010, três cidades catarinenses foram atingidas por precipitações de granizo: Celso Ramos, Joaçaba e Chapecó. Esse acontecimento danificou cerca de 150 residências, deixando mais de 30 pessoas desalojadas.


Créditos ao Diário Aldeense

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